Como um grupo de estudos
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Por: Xandra Stefanel - Revista Brasil Atual

Assim surgiu, em 2009, o coletivo que hoje agrega 11 companhias teatrais. “Começamos a nos reunir com três grupos parceiros, Dolores, Engenho e Brava, para discutir pontos de identificação. No começo de 2010 outros se agregaram, e fomos nos estruturando como um grupo contra-hegemônico, que quer pensar o teatro para a luta de classes do lado de cá da trincheira”, lembra Daniela, da Cia. Estável.

Com pressupostos em comum, mas estéticas distintas, os grupos passam mais ou menos pela mesma situação quando o assunto é grana. Se já não é fácil sobreviver do teatro “convencional”, do engajado, então, é mais difícil ainda. Para desenvolver seus projetos, realizar oficinas gratuitas e levar suas peças gratuitamente à classe trabalhadora, um dos caminhos foi participar dos editais da Lei de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo. Quando é aprovado, o projeto recebe recursos para ser desenvolvido. Quando não, os atores, individualmente ou como grupo, trabalham em outras frentes, seja no teatro, seja fora dele, como é o caso do Dolores Boca Aberta, que tem no grupo jardineiro, técnico em telefonia, professores e outras categorias profissionais.

Unir-se é, para Luciano Carvalho, um meio de resistir e, quem sabe, criar formas de produzir um teatro que ajude na construção de um mundo mais justo para todos, incluindo quem o faz. “Chegamos a uma conclusão conjunta: temos um trabalho em luta que se direciona a uma classe específica, porque compomos essa classe. A necessidade de nos juntar é para nos tornarmos mais fortes, criarmos espaços de encontro, treinamento e troca de estéticas que não conhecemos ainda, como fazer uma cena com 100 pessoas. O modo de organização e solidariedade entre os grupos pode criar uma ferramenta estética inédita”, diz Luciano.